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Ode ao cinema de Bollywood
Carlos Augusto Brandão
O cineasta Guru Dutt, embora seja considerado um mestre do cinema mundial, ainda é um nome pouco divulgado.
Pioneiro da era de ouro do cinema indiano nas décadas de 50 e 60, o diretor – que nasceu em 1925 e morreu em 1964 – é sempre lembrado como um autor que, sem deixar de lado a racionalidade dos realizadores, soube como ninguém descobrir a fórmula certa para ir de encontro à emoção dos espectadores. Dutt será objeto de uma homenagem no próximo Festival de Nova York com uma retrospectiva que inclui os principais títulos de sua carreira, inclusive aqueles que são considerados suas obras primas– Pyaasa, de 1957 e Flores de Papel, de 1959.
Pyaasa é a história de Vijay, um jovem e talentoso poeta que luta para impulsionar sua carreira, mas não consegue apoio de nenhum editor. Como insiste em viver de seus poemas e não encontra uma forma de ajudar no sustento familiar, ele passa a ter problemas com seus irmãos. Filho de uma família pobre e atormentado pelo não reconhecimento ao seu talento, um dia Vijay chega em casa e descobre que seus irmãos venderam seus poemas para um comerciante do lixo. Gulab, uma prostituta, compra o pacote de papel velho e, após decorar os poemas passa a cantá-los na rua, até como uma forma de atrair seus clientes. O filme é uma seqüência de dramas: a rejeição da família, a recusa do editor Ghosh em publicar os poemas – ele não suportava ver em Vijay o poeta talentoso que ele mesmo gostaria de ser – o seu emprego numa posição subalterna de servente, a esposa Meena que se casou com ele para ter uma segurança financeira e a alternância da reação das pessoas que consideram seus poemas lixo ou obras primas, de acordo com a forma como o poeta está sendo considerado no momento. 
Dutt tem a maestria de encontrar o tom exato para fazer a transição do drama para os momentos musicais, uma característica forte dos filmes de Bollywood, numa forma de aliviar a tensão emocional dos sentimentos dos personagens.
Flores de Papel, por sua vez, segue Suresh Sinha (Guru Dutt), que mesmo tendo uma origem humilde, consegue se tornar um renomado diretor de cinema em Bombaim. Sinha se apaixona por Bina (Veena Varma), os dois se casam e têm uma filha, Pramila. Numa noite chuvosa, ele conhece a jovem Shanti (Waheeda Rehman), e lhe empresta um casaco. Quando ela vai ao seu estúdio devolver, Sinha se encanta por ela e faz tudo para conquistá-la e promover sua carreira. O filme evidencia a profunda simpatia que o diretor tem pela condição humana, principalmente pelas pessoas que não são privilegiadas pela vida. As cenas são filmadas com atenção meticulosa aos detalhes e o trabalho de câmera, com uso de luz e sombras, é algo de mágico. A retrospectiva, que inclui outros filmes de Dutt como From One Side to the Other, The Hawk e A Game of Chance é mais do que justa no reconhecimento ao trabalho de um dos diretores mais líricos e poéticos do cinema, infelizmente ainda inaccessível para o grande público. 
Carlos Augusto Brandão, 20h37min, 19.06.09 __________________________________________________________________________________________
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