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UM RECONHECIMENTO MERECIDO
Carlos Augusto Brandão
Hanna Schygulla e Wolfgang Kohlhaase são dois artistas que, embora de formas diferentes, se posicionaram a favor da mudança na Alemanha Ocidental e Oriental e assim, contribuíram para a renovação do cinema alemão. Ambos são os escolhidos para receberem o Urso Honorário da 60ª edição do Festival de Berlim, prêmio que reconhece o conjunto da obra de nomes consagrados.
Como atesta Dieter Kosslick, desde 2002 à frente da direção do festival, o nome de Hanna está inseparavelmente ligado aos filmes de Rainer Fassbinder; e Kohlhaase adotou uma linha que era totalmente nova para a DEFA, antiga produtora da Alemanha Oriental.
Schygulla trabalhou com cineastas renomados como Volker Schlondorff, Wim Wenders, Jean Luc Godard, Carlos Saura, Andrzej Wajda e, como destacado por Kosslick, de forma mais expressiva com Fassbinder com quemfez mais de vinte filmes. A atriz recebeu prêmios importantes, entre eles o Urso de Prata pelo O Casamento de Maria Braun, de Fassbinder em 1979 e a Palma de Ouro em Cannes, em 1983 pelo papel de Eugênia no filme História de Piera, de Marco Ferreri. O filme, que se tornou um clássico, narra uma história passada numa pequena província italiana, onde Eugênia mora com seu marido Lorenzo, um destacado militante do partido comunista, interpretado por Marcello Mastroianni. O casal mantém uma relação aberta e tenta adaptar a vida particular à transgressão que professavam para o domínio público. Uma das atuações mais recentes de Schygulla foi em Do Outro Lado (2007), do cineasta alemão de origem turca Fatih Akin.

Kohlhaase, o outro homenageado, nasceu em Berlim e exerceu, como roteirista e diretor, uma grande influência no cinema na época da DEFA. Ele é um dos artistas da Alemanha Oriental que continuou a ter sucesso após a queda do muro e por muitos anos colaborou de perto com o diretor Gerhard Klein. Sua preocupação com o fascismo alemão o levou a associar-se a Konrad Wolf com o qual fez quatro filmes. O último deles, Solo Sunny (80) ganhou um Urso de Prata naquele ano. Em 1983, Kohlhaase roteirizou The Turning Point, de Frank Beyer, que conta a história de um soldado alemão numa prisão polonesa no final da guerra. Inscrito na edição da Berlinale daquele ano, após objeções do governo polonês, o filme foi retirado da programação e impedido de participar do evento. Rainer Rother, responsável pela curadoria do tributo, destaca que o sentido de autenticidade de Kohlhaase, tanto como roteirista quanto como diretor, representa um tesouro para o cinema alemão. 
Cinco trabalhos de cada um dos homenageados fazem parte do tributo. Entre eles, o raro Rio das Mortes, – mais uma parceria de Schygulla com Fassbinder – que capta com humor bizarro, o clima dos anos 70.
Carlos Augusto Brandão, 23:30, 07.01.10 __________________________________________________________________________________________
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