Os bastidores do Facebook nas telas
Myrna Silveira Brandão


Brasileiro, co-fundador da rede social, é um dos personagens do filme.


Semanas após ter sido lançado nos Estados Unidos, “The accidental billionaires: the founding of Facebook, a tale of sex, money, genius and betrayal” (Os bilionários acidentais: a fundação do Facebook, uma história de sexo, dinheiro, genialidade e traição), de Ben Mezrich se tornou um dos livros mais vendidos na área de negócios.

O próprio nome da obra já sugere os componentes da história por trás da criação da rede social mais utilizada do mundo e cercada de polêmicas. Com o nome de The Social Network, o livro acabou de ser adaptado para as telas por David Fincher (Clube da Luta, O curioso caso de Benjamin Button) e será o filme de abertura da 48ª edição do Festival de Nova York.

Como afirma Richard Peña, diretor do festival, é raro encontrar um filme que captura tão bem o espírito do seu tempo como The Social Network. Segundo ele, Fincher e o roteirista Aaron Sorkin fizeram um filme ao mesmo tempo atual e reflexivo e que os coloca à frente do cinema contemporâneo. “Eles formam um time de diretor/roteirista, como Lumet (Sidney) e Chayesfsky (Paddy) fizeram no passado”, diz Peña se referindo a Rede de Intrigas, de 1976, uma análise crítica e contundente do mundo televisivo numa trama frenética envolvendo comunicação e tecnologia.

A história de The Social Network começa numa noite de outono em 2003 quando Mark Zuckerberg, então aluno de Harvard, senta no seu computador e começa a colocar em prática uma nova idéia que culminará numa revolução na comunicação. Seis anos depois e 500 milhões de amigos mais tarde, ele é o mais novo bilionário da história da Internet, mas para este jovem empreendedor, o sucesso veio acompanhado de complicações tanto pessoais quanto legais. O livro apresenta outros personagens que tiveram papel fundamental na criação do Facebook, entre eles o carioca Eduardo Saverin, contemporâneo de Zuckerberg em Harward. Saverin foi sócio do site, ajudou a idealizá-lo e viabilizá-lo e fez parte da fundação da rede social, mas saiu do grupo após desentendimentos com Zuckerberg. O jovem, que viveu no Brasil até a adolescência, antes de se mudar para Miami com a família, consta no livro de Mezrich, como um dos fundadores do Facebook. Seu ex-colega abandonou a prestigiosa faculdade de Massachusetts para continuar o projeto e, segundo consta, o excluiu da sociedade. Saverin continuou em Harward e se diplomou em economia. Zuckerberg é interpretado por Jessé Eisenberg e o brasileiro é vivido por Andrew Garfield (O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus). Também consta do elenco o cantor Justin Timberlake no papel do empresário Sean Parker, que foi um dos criadores do Napster e comprou o Facebook em 2004.

Destacando que a missão do festival é trazer para as suas audiências títulos que divirtam, mas ao mesmo tempo abram um diálogo sobre temas atuais, Peña lembra que The Social Network é um exemplo de filme que pode cumprir esse papel. De fato, o autor do livro focou sua obra numa história de amizade, lealdade e traição, com um caráter multifacetado que é tão complexo quanto inteligente e os realizadores do filme adotaram a mesma linha, ao retratar o início da famosa rede em que as festas universitárias e a dificuldade de se inserir socialmente dão o tom dos primeiros dias daquele que se tornou em 2009 o principal site de relacionamentos.

Myrna Silveira Brandão, 18h10min, 18.07.10
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