Brasília Atrai O Cinema Mundial
Texto de Júlio Alfradique


Várias Mostras em Um Grande Festival


Em seu quarto ano de exibição, o FICBrasília/2002 se reafirma com um dos maiores e bem intencionados Festivais de Cinema do Mundo. Ficamos felizes - como brasileiros - em poder oferecer com dignidade e inteligência o tradicional espaço Academia de Tênis, agora com mais cinco salas, para um evento que valoriza artistas e artesãos do cinema que vão desde a criação/idéia do roteiro até o Troféu Buriti, confeccionado pelo artista plástico brasileiro Darlan Rosa.Com o objetivo de mostrar muito mais do que filmes prontos, a organização do festival sempre teve a preocupação de trazer personalidades que fazem do cinema o seu trabalho, para debaterem temas atuais como: o cinema Argentino de hoje, o novo cinema Francês, o cinema Africano, Zhang Yang e o novo cinema Chinês, Cinema e Verdade, Sonho e Realidade Psíquica, assuntos que estão pautados para este ano. Nos três últimos festivais, tivemos a oportunidade de assistir filmes inéditos no Brasil em sessões especiais de filmes nórdicos e a surpresa de conhecer diretores independentes nas mostras competitivas. Com premiações escolhidas pelo público e por uma comissão julgadora presidida por Florinda Bolkan, que merecidamente tem uma mostra de seus trabalhos como atriz e diretora, os filmes realizados entre 2000 e 2001 serão apresentados em mostras variadas.

É sempre bom lembrar que os festivais internacionais apresentados aqui, tem a sensibilidade de expor o cinema brasileiro de forma justa e democrática. Por isso, a Mostra Panorama Brasil do ano de 2002 destaca: As Três Marias, de Aluízio Abranches; Timor Lorosae - O Massacre que o Mundo não viu, de Lucélia Santos; Duas Vezes com Helena, de Mauro Farias; O Aleijadinho - Paixão, Glória e Suicídio, de Geraldo Santos Pereira; O Clube do Champagne, de João Machado; Latitude Zero, de Toni Venturi; e Nem Gravata Nem Honra, de Marcelo Masagão. Alguns já exibidos nas telas e outros brevemente em cartaz. Sem deixar de lado o formato que faz sucesso entre público e cineastas brasileiros, o curta-metragem tem a sua vez na Mostra de Curtas Brasilienses, que podemos conferir algumas produções passadas lançadas em vídeo pelo selo Funarte/Decine.

É uma lástima e é fato que alguns filmes não entrarão em cartaz e muito menos serão lançados em vídeo, e a oportunidade de conhecer obras da cineasta italiana Lina Wertmüller, do africano Idrissa Ouedraogo e de tantos outros diretores apresentados nos cinemas mundiais está mais próxima de nós, uma vez por ano, centrada no Brasil.

Júlio Alfradique, 06.05.02


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