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A colisão de duas culturas
Myrna Silveira Brandão
Novo filme de Malick retrata um momento importante da história americana.
Terrence Malick está de volta às telas com seu novo filme The New World, oito anos depois do seu último trabalho, Além da Linha Vermelha, em 1998. A legião de fãs do cineasta pode então se preparar para as novas emoções trazidas pelo talento de Mallick, que em 37 anos de carreira, realizou apenas quatro longas. O tema do filme – que foi selecionado para a 56ª edição do Festival de Berlim – pode surpreender, mas não a forma como foi tratado por Malick. The New World transforma a lendária história da índia Pocahontas e do Capitão inglês John Smith numa meditação poética sobre as duas diferenciadas culturas na Virginia do século XVII.
Embora a história tenha entrado no campo da mitologia, Pocahontas não nasceu da imaginação dos historiadores nem da equipe da Disney, a primeira a levar o tema para as telas. Ela realmente existiu e foi uma personagem importante da história americana na convivência entre índios e europeus quando da instalação de Jamestown, a primeira colônia britânica na América. Powhatan, pai de Pocahontas, era o chefe de uma nação indígena constituída por mais de 28 tribos que dominavam aquele trecho da costa leste americana. 
O filme de Malick começa com Pocahontas e seus companheiros da tribo Powhatan vendo a chegada dos três navios ingleses nas proximidades de sua aldeia. Instado pelo Capitão Newport a procurar comida para o grupo inglês, o Capitão Smith é aprisionado pelos guerreiros da tribo e só consegue sobreviver graças à intervenção de Pocahontas. Numa troca mútua, ela vai instruí-lo sobre os costumes e a cultura de sua tribo e, em troca, ele vai ensiná-la a falar inglês. Uma intensa ligação une o militar e a jovem índia, que vai perdurar mesmo quando a violência explode na tribo e o dever força Smith a voltar para a Inglaterra. Pocahontas é vivida pela atriz revelação Q’Orianka Kilcher, que é filha de um índio Quechua e uma suíça que cresceu no Alaska. Smith é interpretado por Colin Farrell, que recentemente viveu Alexandre no filme de Oliver Stone. Christian Bale também está no elenco como John Rolfe, o viúvo aristocrata inglês.

O filme tem imagens de uma beleza impressionante. Poucos diretores têm o talento para captar paisagens ao natural como Mallick, já brilhantemente mostrado nos seus filmes Terra de Ninguém e Cinzas no Paraíso, neste último ajudado pelamaravilhosa fotografia de Nestor Almendros e Haskell Wexler. Malick, aliás, é conhecido por ser um diretor que investe mais na imagem do que na narrativa convencional para expressar a emoção.Além disso, o cuidadoso diretor texano claramente reverencia as tradições antigas dos Powhatans, mas também procura não colocar sob forma demonizada os assentamentos colonizadores.Ao invés disso, mostra como a busca dos ingleses por mais terras (leia-se procura de tabaco, natural na região) vai deixar em segundo plano suas tentativas de co-existir com os nativos americanos.
O filme lança um olhar não colonizador na incursão inglesa no solo americano e talvez o melhor elogio que se possa fazer é dizer que The New World é a cara do seu autor.
Myrna Silveira Brandão, 19h56 min, 04.01.06 __________________________________________________________________________________________
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