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Ang Lee surpreende e faz sucesso com seu novo filme
Carlos Augusto Brandão
O Segredo de Brokeback Mountain, do taiwanês Ang Lee (O Tigre e o Dragão, Tempestade de Gelo) surpreendeu pela ótima receptividade.
Ganhou o Oscar de melhor diretor para Ang Lee, roteiro adaptado para Larry McMurtry e Diana Ossana e trilha sonora para Gustavo Santaolalla. Além disso, já tinha ganho o Leão de Ouro no Festival de Veneza e saiu do Globo de Ouro com quatro prêmios.
Muitos se perguntaram o que pode haver de tão extraordinário numa história de amor proibido entre dois jovens caubóis, que se isolam nas montanhas com suas ovelhas, além de se tornar um desafio à censura – até onde se sabe, o filme não passará na China – e uma bandeira da comunidade gay?
Inicialmente, o rótulo de filme gay simplifica a questão e não entra na complexidade do trabalho de Lee. Muito mais do que um filme sobre a homossexualidade, O Segredo de Brokeback Mountain é um filme que coloca em discussão a integração social de pessoas culturalmente condenadas à marginalidade. Até porque a idéia de tratar da homossexualidade no mundo machista dos faroestes não é idéia nova. Clássicos do gênero já a abordaram, claro que de forma não tão explícita quanto Brokeback Mountain. Como exemplo, Howard Hawks, ainda em 1948, nos trouxe uma das mais conhecidas no ótimo Rio Vermelho (Red River) – o elogio mútuo aos seus revólveres, freudianamente feito por Montgomery Clift e John Ireland. E neste filme de Lee, eles nem são caubóis no sentido rigoroso do termo, mas sim cuidadores de ovelhas.

O romance dos dois jovens em pleno universo rural americano ao longo de três décadas é baseado no conto de Annie Proulx. Quando o roteiro de Larry McMurtry e Diana Ossana foi mostrado ao produtor James Schamus, também de O Tigre e o Dragão, ele de imediato topou produzir a adaptação para as telas daquelas duas vidas sufocadas por um relacionamento clandestino.
A história começa em 1963 e acompanha os dois homens por década e meia. Jack e Ennis se conhecem na fila de emprego para trabalhar por temporada em uma fazenda próxima à montanha de Brokeback. Após um período como pastores na região paradisíaca, Jack Twist (Jake Gyllenhaal), seduz Ennis Del Mar (Heath Ledger), que cede à força da paixão. O forte laço de amizade se transforma em atração sexual e logo se transformaria em amor. A relação é interrompida com o fim do contrato de trabalho e também pelo fato de Ennis estar de casamento marcado com Alma (Michelle Williams). Ele casa e constitui família com Alma e continua sendo um vaqueiro, enquanto Jack se casa com uma mulher de família rica do Texas. Quatro anos mais tarde, Ennis já é pai de duas meninas e vive uma tediosa rotina doméstica, quando Jack reaparece. A partir daí, tem início, ao longo dos anos, uma série de encontros secretos na Brokeback. Como não podem estar juntos e para compensar o vazio de seus cotidianos, passam a viver uma vida dupla. De um lado as famílias heterossexuais, de outro os encontros clandestinos. 
Lee é muito cuidadoso na condução da trama e há muita sutileza na abordagem da história. É um filme contido, muito mais de não ditos do que de diálogos. A delicadeza com que o diretor aborda o tema é um dos pontos altos do filme, até na forma como os dois personagens são construídos: Ennis é mais retraído, Jack se mostra mais à vontade quanto aos seus relacionamentos sexuais. O Segredo de Brokeback Mountain é, acima de tudo, uma história de amor baseada na renúncia, na dor vinda da transgressão e na solidão. São pessoas que se amam e não podem viver juntas, constituem outras famílias mas não são felizes. É um filme sobre os dilemas das escolhas individuais e existenciais, sobre a força da paixão, sobre um amor impossível, sobre as repressões sociais e, como pano de fundo, a belíssima natureza, numa metáfora de um local livre e à margem das convenções.
Carlos Augusto Brandão, 21h48min, 19.03.06 ________________________________________________________________________________
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