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Depois
do lançamento oficial do Cine Santa no auditório
do Jornal O Dia, Fernanda Oliveira
e Adil Tiscatti falam do
projeto de resgatar o cinema de bairro abrindo as portas
em Santa Teresa.
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Cine
Santa
CC
- Como
surgiu o Projeto Cine Santa?
Fernanda
- Eu
diria que começou com um sonho, que era bem sonho
mesmo, aquela coisa de quem teve seu primeiro emprego
em um cinema e que se fascinou por isso. Mas também,
poderia dizer que o cinema entrou na minha vida quando
assisti pela primeira vez um filme na telona, em um
cinema que não exite mais em Campo Grande. O
filme eu me lembro, era "Memórias do Cárcere"
do Nelson Pereira dos Santos. Talvez o Projeto possa
ter começado aí. O Cine Santa com a cara
que ele tem hoje surgiu há um ano e meio, quando
percebi Santa Teresa, um bairro com 50.000 habitantes,
na sua maioria assíduos freqüentadores de
cinema que saíam do bairro para poder ver um
bom filme. Comecei os estudos de viabilidade e arregaçamos
as mangas...
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CC - O
teatro e a música estão ligados a vocês
através da produtora Balé de Cobra. O conhecimento
de produção ajudou a montar o projeto?
Adil
- Com
certeza, a Balé de Cobra é uma produtora que
cresceu junto com a gente, tivemos a necessidade de abrir
uma produtora para poder lançar meu primeiro disco,
isso em 1997. E acho mesmo que quem tem seu movimento na cultura,
hoje em dia, tem que produzir, tem que se auto produzir, no
meu caso a música, a Fernanda o teatro, e os dois juntos
o Cine Santa.
Fernanda
- É
legal por que somamos bem nossas competências. O Adil
produz muito, tem aquela coisa do compositor que a inspiração
esta à flor da pele, é constante, então
é muita energia, é muita garra. Eu já
tenho aquela coisa do teatro, muito estudo, leituras, entendimentos
e interpretações, mais cautelosa e empreendedora.
Junta tudo e é a Balé de Cobra Produções
que já marcou seu nome em todos os guias de produtoras
do Brasil, na música já fez projetos grandes
como o Pontal da Marina. Tem artistas novos, que já
tem o seu espaço, como o Adil, que atualmente está
com a música "Linda no Rio" entre as dez
mais pedidas da rádio. Tem a Di Mostacatto com duas
músicas tocando, e acabamos de produzir o projeto de
comemoração de um ano do programa Instrumental
MPBFM.
CC
- Você
idealizou o Cine Santa como um modelo de empresa sociocultural.
Como você desenvolveria isso?
Fernanda
- Essa
coisa de modelo é real, eu tenho um ideal de empresa
que foge ao que vemos por aí. Eu não acredito
que uma empresa sociocultural possa pensar estritamente em
dinheiro. A chegada do Cine Santa ao bairro de Santa Teresa
tem que estar ligada ao desenvolvimento da região em
todos os aspectos. Gerar empregos é primordial, mas
com responsabilidade, trazer o funcionário para o crescimento
mútuo. Hoje em dia essa denominação
de "empregado" está fora do contexto, o ideal
é que uma empresa tenha empreendedores de si mesmos.
Eu acredito muito na diminuição do lucro. Eu
acho que isso é o básico, o empresariado globalizado
quer ganhar muito e divide muito pouco, o dinheiro, o conhecimento,
as oportunidades. Essa vai ser a primeira medida.
CC
- A
Secretaria de Cultura e algumas empresas estão apoiando
o projeto. De que forma isto acontece?
Fernanda
-
O Secretário de Cultura do Município em uma
entrevista exclusiva para o Jornal Capital Cultural no mês
de julho afirmou que dará todo o apoio ao Cine Santa.
O imóvel cedido pela prefeitura é uma parceria
fundamental e muito importante.
Adil-
Até hoje em todas as portas que batemos fechamos parcerias.
A MOVLE que é uma empresa de arquitetura, já
desenvolveu todo o projeto do Cine Santa, a ON tem feito nossas
exibições, o Cacá Diegues, a Vídeo
Filmes a Inversom, O Sobrenatural, nunca recebemos um não,
pelo contrario, já temos recebido propostas de parceria
e esse é o nosso objetivo, atrair os interessados em
ter a sua marca ligada ao Cine Santa.
CC
- Você
está trabalhando para que o Cine Santa seja acolhido
pelas pessoas do bairro como algo que fizesse parte da vida
e da tradição de Santa Teresa. O que o espaço
oferece?
Adil
- Agora dia 16 de agosto exibimos o projeto arquitetônico
para aproximadamente 700 pessoas que assistiam a nossa exibição,
e os aplausos no final confirmaram a aceitação
do projeto. Será um complexo cultural com loja/livraria,
um café ao ar livre, duas salas de cinema e um restaurante
com vista panorâmica.
Fernanda
-
O que eu acho fundamental é que tenha vida. Eu não
quero uma coisa de Museu ou de Centro Cultural. Tem
que ser um espaço aberto, onde as pessoas se encontrem,
onde um vizinho possa encontrar o outro, que as comunidades
possam entrar, que tenha falatório, com pessoas interessantes
trocando idéias enquanto bebem e comem pagando
um preço justo, depois de assistirem um filme, uma
exposição.
CC
- Qual
o objetivo social do Cine Santa junto às comunidades?
A mostra de realizações populares está
programado?
Fernanda
- O povo não vai ao cinema, isso por que os cinema
hoje são nos shopping centers, é muito caro
o ingresso, a pipoca. O Cine Santa sendo um cinema do bairro,
os moradores das comunidades vão se sentir à
vontade nele. Será através de projetos que atrairemos
aqueles que ainda não conhecem o cinema. Um deles que
é o meu queridinho e se chama "comunidade no cinema"
onde nós teremos uma agenda onde o morador poderá
inscrever o seu vídeo para passar no cinema. O aniversário
de quinze anos da filha, o batizado, o bloco das carmelitas.
Ele convida os parentes, os amigos, os vizinhos e eles serão
a atração do cinema naquele horário.
Adil
- Nos estudos de viabilidade confirmamos um preço abaixo
do mercado para o ingresso do cinema.
CC - Apesar
de vocês afirmarem que o Cine Santa é um cinema
de bairro e para o bairro, o projeto poderia ser levado a outros
lugares. Existe essa intenção?
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Adil
- Com certeza, eu e a Fernanda somos de Bangu, minha
carreira na música começou em Bangu e
a zona oeste é uma região muito carente
de cinema. Esse projeto premiado pela Shell poderá
ser o
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modelo para implementar salas de cinema em todas as
regiões. O Cine Santa Teresa recebeu esse prêmio
de melhor projeto empresarial completo por todo o seu
compromisso sociocultural.
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CC
- Quais são as prioridades
e as necessidades para que o Cine Santa atenda o seu objetivo
a curto prazo?
Fernanda
- Estabelecer a marca, estabelecer o Cine Santa no bairro
de Santa Teresa como um projeto de todos e necessário
para os moradores é uma meta que já estamos
muito próximos de atingir. A maioria já sabe
da seriedade e do compromisso com o desenvolvimento do bairro.
As principais ONGs que atuam no bairro já nos procuraram
e querem trabalhar junto com o Cine Santa.
Adil
- As necessidades são muitas. O imóvel, com
toda a burocracia da prefeitura, o patrocinador que tenha
afinidades com o projeto, isso é muito importante,
por que não basta chegar com o dinheiro e viabilizar,
se o compromisso desse patrocinador não se aproximar
ao do Cine Santa. Aí esperamos por outra proposta.
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