Tetê Mattos é professora do curso de Produção Cultural na UFF e professora do curso de cinema da Estácio de Sá, é vice-presidente da ABDeC do Rio de Janeiro e realizadora da Mostra Curta Adoidado em Santa Tereza. É também uma apaixonada pelo curta-metragem e por Glauber Rocha.

 


CC - Como surgiu a idéia de fazer Mostra Curta Adoidado?


Tetê Mattos - Começou em 97, e na época eu estava fazendo um filme de 16mm. Então a mostra surgiu com essa idéia de exibir somente em 16mm. Eu e o Fernando Guinares nos juntamos, ele também era realizador de 16mm, então a gente com aquela preocupação: "a gente faz filme em 16mm e não tem espaço para exibição, então vamos realizar uma mostra que exiba somente em 16mm". Eu tinha lido uma matéria que falava sobre o Festival de Inverno em Santa Teresa e que não tinha a área de cinema e bati na porta da organização do festival perguntando por que não tinha cinema, eles acabaram me colocando em contato com o Fernando e a gente acabou fazendo essa mostra. Que tem um pouco essa cara: Você é realizador em 16mm e percebe a falta de espaço de exibição em 16mm.



CC - Fale um pouco sobre esse seu filme em 16mm?

Tetê Mattos - Bom, foi um projeto universitário que eu fiz em co-produção com a UFF, com o Departamento de Cinema e Vídeo e com o DeCine/FUNARTE. Era um projeto que teve essa categoria de co-produção. Era um projeto independente. Algum aluno apresentava um projeto à coordenação que era aprovado ou não. No caso aprovou... e aí você faz o filme com uma grande parte da equipe sendo alunos da UFF. Eu fiz esse filme na época da UFF.


CC - Quais são os critérios que vocês usam para selecionar os curtas na Mostra Curta Adoidado?

Tetê Mattos - Bem, são dois conceitos. Primeiro deles: filmes em 16mm, que ali seja um espaço para filmes em 16mm. E segundo, o que é importante pra gente, exibir as primeiras produções de realizadores consagrados. Então como a gente escolhe os filmes, a gente dividiu em seis categorias: ficção, experimental, animação e documentário. A gente acrescenta então os filmes universitários e os filmes clássicos. Um exemplo desses clássicos: pegar o primeiro filme do Glauber Rocha, o

primeiro da Sandra Werneck, do José Joffily... Enfim, se você faz um curta metragem ele só pode ser escrito nos festivais em dois anos, depois o filme fica engavetado. E o Curta Adoidado tem um pouco essa idéia de tirar esses filmes da gaveta. Pegar filmes de 10 anos atrás. Na última edição da gente os filmes mais votados, do júri popular, numa lista de 5 filmes, alguns eram esses mais antigos. Enfim, são alguns filmes esquecidos, não circulam mais pelos festivais.




CC - Como vocês encontram esses filmes?

Tetê Mattos - Com uma parceria com o Centro Técnico Audiovisual. Então a divisão da curadoria é da seguinte forma: eu tento acompanhar a produção recente de filmes ao longo do ano indo a festivais, assistindo tudo de curtas e o Fernando vai lá no CTAV assistir filmes com a assistência da Vânia Ribeiro, funcionária do CTAV. Temos também como assistência da curadoria o Márcio de Andrade, que também traz alguns títulos.


CC - Fale um pouco sobre o Festival AraribóiaCine que terá sua primeira edição este ano.

Tetê Mattos - A idéia é pensar sobre um festival de curta-metragem voltado para a cidade de Niterói. Eu como uma niteroiense legítima vejo que não temos como assistir curtas em Niterói, com exceção do Festival Universitário. Que, aliás, é um festival maravilhoso e que exibe somente filmes universitários.

Mas a grande produção de filmes em curta-metragem não chegam à cidade de Niterói. Então o pessoal do MAC entrou em contato comigo e me convidaram para apresentar uma proposta de potencializar uma sala; aí eu tive essa idéia do Araribóia. Não são só filmes niteroienses e sim nacionais.



CC - Você é vice-presidente da ABDeC do Rio de Janeiro. Como fica a associação em relação às mostras?

Tetê Mattos - Na verdade não é a função da ABDeC fazer mostras e sim apoiar propostas. Não que um dia ela não faça, mas sim ela luta para esses concursos de curtas, é tipo um órgão que fiscaliza e dá apoio a esses curta-metragistas. É uma associação que apoia e estimula os curtas.





CC - Seus planos para o futuro?

Tetê Mattos - Eu estou desenvolvendo um projeto de um curta, um documentário sobre um tema que eu desenvolvi no meu mestrado. É um filme do Glauber Rocha. Em que ele filmou o velório e o enterro do Di Calvalcanti. Esse filme é proibido até hoje pela família do Di. Então a idéia é fazer um documentário com as pessoas que estiveram envolvidas com essa obra do Glauber e com o objetivo de questionar essa proibição. Esse filme tem um valor estético imenso. É a cara do Glauber!


CC - E por que esse interesse pelo curta-metragem?

Tetê Mattos - Porque é no curta que tem toda essa inventividade, toda essa criatividade, que hoje, eu acho que é o que tem de melhor na produção nacional. Normalmente é onde se tem mais experimentação e também uma produção imensa. Que se analisarmos bem, a gente não tem condições de fazer filmes, os concursos são muito poucos, e, no entanto tem mais de cem loucos que fazem filmes. Eu tenho tanto um interesse de curtas em festivais que eu estou

começando a fazer uma pesquisa, que talvez eu venha a desenvolver no doutorado, daqui há uns vinte anos (risos); que é sobre o curta-metragem nos festivais de cinema do curta-metragem. Eu já comecei a fazer essa pesquisa a partir de um curso que eu estou dando na UFF, para o curso de produção cultural, que tem como objetivo justamente analisar o curta-metragem. Suas especificidades, sua história, a lei do curta...e um estudo dos festivais e mostras no Brasil.




 Cena por Cena | Buscando Por | Busca por Autor | O que te interessa | Pesquisa
Livros | Promoções | Críticas e Ensaios | Entrevista | Fórum | Cursos | Links | E-mail

Copyright © 2003 Cena por Cena  -  Criação VIRTUAL Produções Web